sábado, 3 de março de 2012

RESGATE DA CRIANÇA INTERIOR - THAÍS VIDAL - ARTIGO

Rendo Graças ao autor desta imagem



RESGATE DA CRIANÇA INTERIOR

Os aprendizados mais valiosos são os mais simples
e os que estão bem diante de nós.

Sempre aprendi muito com meu pai e continuo aprendendo. Ele sempre consegue com os exemplos mais elementares me fazer compreender as grandiosidades. Lembro-me até hoje que com dois imãs se repelindo ele me ensinou que jamais foi preciso ver para crer.

Ele se iniciou nos estudos recentemente, com alma e coração abertos ao novo e isso o permitiu constatar que tudo não era novo, e sim lembranças. Ele está acessando de forma impressionante e acelerada suas lembranças através das leituras, meditações e orações diárias. Ele também está se conectando com ele mesmo e transbordando Amor, Alegria e a serenidade que a compreensão traz. É maravilhoso conversar com ele e ver o brilho em seus olhos a cada re-descoberta.

Esses dias ele compreendeu amplamente o conceito de dualidade que tanto ouvimos falar através do exemplo do resgate da criança interior, que muito tem sido lembrado, de várias formas, em canalizações e em muitos dos textos aqui do MM.*

“É tão simples. Para alcançarmos o caminho da Unidade, para encontrarmos o retorno à nossa essência, devemos resgatar nossa criança interior.“ (assim ele disse.)

Nascemos Unos com o Todo, nascemos sem nenhum conceito do que é certo ou errado, ou seja, sem nenhum conhecimento e percepção da dualidade. Nascemos integrados com o Todo e vamos ‘perdendo’ essa integração nos fragmentando a cada "educação", a cada "aprendizado" captado do ‘externo’, de fora de nós. Aliás, até mesmo esse conceito de dentro e fora de nós fica enraizado e acaba por pré-determinar as crenças que vamos alimentando e desenvolvendo ao longo de nossa vida.

Enquanto criança não nos acostumamos com a beleza da vida, cada cor, sabor e textura é uma festa. Nos encantamos com a cor do céu e suas nuvens de algodão doce. Cada elemento da natureza é o cenário perfeito para nossa imaginação, para ser tudo que queremos ser. Não é preciso nenhum motivo para soltar uma gargalhada gostosa. Todo cachorro é o ‘au-au’ e todo gatinho é o ‘miau’ e sempre os recebemos com grande alegria e entusiasmo.


Mas as vezes choramos por vários motivos. Nos assustamos com esse mundo grandão, tão bem "mais grande" que a gente. É aí que entra o bicho-papão: ‘Não chora senão o bicho papão vai te pegar!”.

Conhecemos o medo tão pequeninos e vamos nos fechando e enclausurando-nos num mundinho limitado de idéias, conceitos, limitações e generalizações. Nosso mundão tão grandão vira uma bolinha de gude que só podemos brincar depois de tomar banho.

Sim, na 3D aprendemos dentro do que é certo ou errado. ‘Se botar o dedinho na tomada vai levar choque’. ‘É bom pra aprender’. Não há mal nenhum nisso, afinal tudo vai se encaixar no lado bom ou no lado ruim. Se estamos aqui em num mundo onde prevalece a dualidade e o livre arbítrio, nada mais normal que aprender com tudo isso.

O que ocorre é que pouco a pouco, passo a passo, a dualidade cria os conceitos e as crenças, que limitam todo e qualquer aprendizado novo. E quanto mais passos nessa direção, mais distante vamos ficando de nossa verdadeira essência. Crescemos mas nosso cercadinho nos acompanha e usamos apenas os brinquedinhos dentro dele para compreender o mundo a nossa volta. “Essa novidade é maravilhosa, mas eu ainda prefiro o aviãozinho do meu cercadinho...eu cresci brincando com ele, não deve haver brinquedo melhor nesse mundo”.


Você se lembra qual foi a última vez que você riu até dar câimbra na barriga? Que soltou uma gargalhada sem motivo algum? Que se encantou com a beleza do laranja-rosado do céu e com as formas majestosas das nuvens? Que sentiu uma alegria imensa só por estar pertinho de alguém? Que falou o que pensou sem se importar com a opinião alheia? Que foi sincero? Que chorou porque sentiu uma tristeza que não sabe nem explicar de onde vem? Que comeu um bolo de chocolate lambendo os dedos?

E a última vez que olhou sem véu nenhum para esse mundo? Sem nenhuma ‘maldade’ que pudesse impregnar e manchar a sua visão? E alguma vez já tentou enxergar com a inocência dos olhos de uma criança?

É como simplesmente respirar, nós nascemos respirando perfeitamente e até isso vamos perdendo pelo caminho.

Vivemos em um mundo em que a pureza da inocência virou
sinônimo de ingenuidade.

A volta à nossa essência depende do abandono de tudo que construímos dentro do nosso “cercadinho”, inclusive dele mesmo. É como se permitir dar os primeiros passinhos novamente, limpos e livres de qualquer crença, opinião, conceitos e julgamentos. É aceitar a mão que nos é oferecida a todo instante. É cair na gargalhada se der um passinho torto e cair no chão. É levantar-se novamente com toda GRAÇA, pois estamos aprendendo a caminhar para a UNIDADE.

É ser inocente, livre, leve e solto.

Quer saber, eu vou em busca do meu tesouro perdido! Lá na casinha na árvore eu posso ver e ser o Universo inteiro, esse mundão que cabe dentro do meu jardim. Eu vou correr, soltar pipa e comer pipoca. Vem comigo?

Resgatar nossa criança interior é permitir-se o retorno à nossa essência divina, integrada e plena com Tudo que É. Essa compreensão já foi passada para nós sob diversas formas e agora de maneira muito intensa através das canalizações.

“Trouxeram-lhe também as criancinhas, para que Ele as tocasse.
Vendo isto, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará.”(Este Reino de Deus significa estar em Unidade, e como criancinha significa estar LIVRE de todos os conceitos de uma mente limitada de 3D.)




Thaís Vidal
(Colaboração de Anthonio Magalhães)


PS.:É com felicidade que trago aqui um trecho do filme o Pequeno Príncipe baseado no livro de Antoine de Saint Exupéry.

Uma obra prima das "verdades essenciais, que são invisíveis aos olhos. Só é possível ver e sentir com o coração."



E aqui o presente por escrito:

No quinto dia, sempre graças ao carneiro, este segredo da vida do pequeno príncipe me foi de súbito revelado. Pergunto-me, sem preâmbulo, como se fora o fruto de um problema muito tempo meditado em silêncio:

- Um carneiro, se come arbusto, come também as flores?
- Um carneiro come tudo que encontra.
- Mesmo as flores que tenham espinho?
- Sim. Mesmo as que têm.
- Então… para que servem os espinhos?

Eu não sabia. Estava ocupadíssimo naquele instante, tentando desatarraxar do motor um parafuso muito apertado. Minha pane começava parecer demasiado grave, e em, breve já não teria água para beber…

- Para que servem os espinhos?

O principezinho jamais renunciava a uma pergunta, depois que a tivesse feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa:

- Espinho não serve para nada. São pura maldade das flores.
- Oh!

Mas após um silêncio, ele me disse com uma espécie de rancor:

- Não acredito! As flores são fracas. Ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos…

Não respondi. Naquele instante eu pensava: “Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo”. O principezinho perturbou-me de novo as reflexões:

- E tu pensas então que as flores…
- Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo com coisas sérias!

Ele olhou-me estupefato:

- Coisas sérias!

Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objeto.

- Tu falas como as pessoas grandes!

Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou, implacável:

- Tu confundes todas as coisas… Misturas tudo!

Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento cabelos de ouro:

- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!

- Um o quê?
- Um cogumelo!

O principezinho estava agora pálido de cólera.

Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, – isto não tem importância?!

Corou um pouco, e continuou em seguida:

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: “Minha flor está lá, nalgum lugar…” Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!

Não pôde dizer mais nada. Pôs-se bruscamente a soluçar. A noite caíra. Larguei as ferramentas. Ria-me do martelo, do parafuso, da sede e da morte. Havia numa estrela, num planeta, o meu, a Terra, um principezinho a consolar! Tomei-o nos braços. Embalei-o. E lhe dizia: “A flor que tu amas não está em perigo… Vou desenhar uma pequena mordaça para o carneiro… Uma armadura para a flor… Eu…”. Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontrá-lo… É tão misterioso, o país das lágrimas!



(Trecho do livro: O Pequeno Príncipe -
Antoine de Saint Exupéry)




Presto Graças à fonte deste artigo:

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