sexta-feira, 15 de março de 2013

VOLTAR A TORNAR-SE CRISTO - YVONNE AIMEE DE MALESTROIT - 30-04-2011 - COM ÁUDIO

Rendo Graças ao autor desta imagem
 
 
 
 
YVONNE AIMEE
DE MALESTROIT
30/04/2011




VOLTAR A
TORNAR-SE CRISTO


Tenho a grande Alegria de intervir nesse Canal.
Eu fui, em minha última encarnação, Irmã Yvonne Amada de Malestroit.
Hoje, eu me apresento a vocês como Estrela KI-RIS-TI.

A vocês todos, meus Irmãos e Irmãs, aqui presentes, e que lerem ou ouvirem o que tenho a dizer-lhes, eu transmito o meu Amor, que é o seu.

Eu começarei, se vocês o permitem, por um breve sobrevôo do que foi minha Vida, não tanto a título de uma memória, mas, antes, a título de exemplo do que vai tornar-se sua Vida, de vocês todos, se vocês o aceitam.
Se vocês acolhem, em vocês, sua Dimensão CRISTO, seu estado CRISTO.

Eu dirigi, em minha vida, uma comunidade religiosa, numa região da França, muito próxima de um lugar mágico, chamado Brocéliande.

Eu efetivamente fiz parte de uma congregação Católica Romana porque, no início do século precedente e até minha morte era muito difícil manifestar esse estado deCRISTO em outros lugares que nesses espaços, ao menos para um Ocidental.

Aqueles que quiserem pesquisar o que foi minha Vida e o que se realizou em minha vida, efetivamente, independente de minha própria vontade ou de qualquer atenção ou desejo de minha parte, encontrarão facilmente.

Hoje, eu represento e eu porto a Estrela CRISTO.
O eixo que foi o meu, em ressonância com minha Irmã Hildegarde de Bingen, que viveu muito tempo antes de mim, esse eixo KI-RIS-TI/REPULSÃO é o Eixo que veio, progressivamente e à medida dos séculos, tentar retificar a Luz alterada (ndr: esquemas na rubrica «protocolos/Yoga Integrativo»).

Em minha vida, muitos mecanismos, que os humanos chamam, hoje ainda, sobrenaturais, foram meu lote quotidiano.
Minhas lágrimas transformavam-se em diamantes, meus vômitos de sangue transformavam-se em cravos e forravam minha cama.
Eu estava em inúmeros lugares ao mesmo tempo, no mesmo corpo físico que eu habitava então.

Eu pude assim intervir, durante a segunda guerra mundial, ao mesmo tempo no monastério, na congregação que eu dirigia e, ao mesmo tempo, a milhares de quilômetros dali.

Eu atravessava numerosos sofrimentos, mas mesmo esses sofrimentos tornaram-se, eles mesmos, estados profundamente diferentes desse sofrimento.

Hoje, vocês serão chamados a tornar-se CRISTO e, portanto, a manifestar essa criação espontânea da Beleza e da Verdade.

Naquela época, aquilo foi chamado milagre, do qual inúmeras de minhas Irmãs e de observadores foram as testemunhas privilegiadas, até um de seus chefes de Estado que assistiu à incorruptibilidade de minha carne, bem após minha morte.

Diferentemente de minhas Irmãs mais jovens que viveram no início do século XX, como Gemma Galgani ou Santa Teresa do Menino Jesus, meu Caminho foi aquele da Fusão Consciente e Integral com o CRISTO.
Eu não fui unicamente uma de suas Esposas, assim como a denominação dada naquela época, mas eu fui Ele mesmo.

Eu me juntei, portanto, em minha vida, ao que é chamada, hoje, essa Androginia Primordial, permitindo realizar a Fusão do Ele e do Ela, como lhes disse minha Irmã Anna.
Isso, eu o vivi em minha vida.

Essa fusão da Androginia dá acesso à dimensão real do ser humano, como Filho Ardente do Sol, Filho do Um, Filho da Eternidade, CRISTO.
Essa Fusão permitiu-me, então, desvendar e revelar uma mestria total da Graça, não no sentido de um controle, mas na manifestação dessa Graça, em múltiplos setores de minha vida, em múltiplos estados de Êxtase que eu vivi então.

Eu fui, portanto, de algum modo, por meu corpo e por meu Espírito, a testemunha privilegiada dessa Androginia Primordial, que corresponde à reunificação das polaridades e permitindo, então, manifestar a totalidade da Verdade nesse mundo de Ilusão.

Eu começava a manifestar isso enquanto, paralelamente, no Oriente, um ser, ele também, compreendeu o que era a chegada dessa Luz: o bem amado Sri Aurobindo.
Na mesma época (ele, no Oriente, e eu, no Ocidente), nós manifestamos (ele, num modo de compreensão, e eu, num modo material) o que era ver essa Luz que voltava e, cada um ao seu modo, densificamos e manifestamos em nossa Vida (nos escritos dele, mas também eu, em meu próprio testemunho de Vida).

Voltar a tornar-se CRISTO ou tornar-se CRISTO, é, portanto, reencontrar sua herança natural.
É redescobrir sua Dimensão, para além da aparência desse Corpo, para além da aparência de tudo o que faz esse mundo.
É entrar na resistência, de algum modo, contra a Ilusão do mundo, não rejeitando essa Ilusão, mas, efetivamente, transcendendo-a, inteiramente.

Tentando por os meus passos nos passos de CRISTO, como Esposa, num primeiro tempo, nesse desejo de Simbiose, em meu desejo de desvanecimento e de dissipação mesmo de minha própria pessoa em Seu Seio, eu compreendi, então, que nós não estávamos separados um do outro.
E eu vim então a manifestar o que meus contemporâneos chamaram os milagres, que são, de fato, apenas o resultado do estado CRÍSTico.

Quando CRISTO veio, há dois mil anos, ele anunciou já seu retorno, bem além das vicissitudes de um corpo, em Espírito e em Verdade, tal como ele partiu.
Eu simplesmente estava adiantada em duas gerações.

Tornando-se Ele, vocês voltam a tornar-se vocês mesmos.
Vocês saem dos papeis.
Vocês saem de toda projeção, de todo desejo.
Vocês saem também de toda dependência.
Vocês saem de toda insuficiência e de toda imperfeição, sem querer, contudo, trabalhar nessas insuficiências e nessas imperfeições, mas, simplesmente, afastando (aparando, de algum modo), os maus ramos.
Mas sem querer fazê-lo, simplesmente por uma tensão.

Assim como o exprimiu minha Irmã de Eixo, Hildegarde de Bingen, essa tensão para Ele, para esse Absoluto, faz com que, a um dado momento da existência humana, realize-se essa Simbiose, essa forma de Fusão conduzida, conduzindo, ela mesma, à Androginia Primordial (bem além da simples identificação, desarmando as armadilhas da personalidade que querem atribuir-se a Luz), tornando-se CRISTO.

Isso necessita passar por certo número de mortes.
Isso necessita passar por certo número de choques.
Isso necessita passar por certo número de desilusões.
E, também, por certo número de sofrimentos.

Mas esses sofrimentos não são buscados, como alguns os buscaram.
Eles surgem por si mesmos, nessa simbiose, porque, voltar a tornar-se CRISTO ou tornar-se KI-RIS-TI, é não mais deixar lugar, em si, para qualquer Sombra.

Como o disseram outras Irmãs, é tornar-se, inteiramente, Transparente para a Luz, não mais existir, independentemente da Luz.
Quer dizer não estar mais presente nesse mundo, ao mesmo tempo estando sobre esse mundo.

Hoje, a humanidade toda, inteira, apronta-se para viver o batismo do Fogo, o retorno do Espírito, o retorno do CRISTO.
Para isso, é preciso deixar, efetivamente, como Ele disse em sua vida, todo o lugar.

O impulso íntimo para Ele, a identificação, depois a Simbiose com Ele, pode-se viver apenas se tudo o que foi ilusório, tudo o que foi resistência, tudo o que foi desejo, tudo o que foi vontade pessoal estiver totalmente aniquilado por esse Fogo do Espírito, transformando-se, vocês mesmos, nesse Fogo devorador, que, no entanto, não queima.

Tornar-se CRISTO é tornar-se rei de Amor, coroado de Sua Coroa, regenerado e ressuscitado no Fogo do Coração.
É deixar passar a Luz.
Tornar-se o receptáculo de Seu Sopro e de Seu Espírito faz com que seu sopro e seu Espírito não possa mais ser assimilado ao que quer que seja nesse mundo.
Em outros termos, é viver a Humildade, a Simplicidade, inteiramente.

Viver a Simbiose em CRISTO é apagar-se totalmente.
É não mais reagir ao que quer que seja ou a quem quer que seja.
Viver apenas para essa Transparência.
Viver apenas para tornar-se isso, sem qualquer outro pensamento, sem qualquer outro desejo, sem qualquer outra vontade.

Para isso, a personalidade deve fundir e desaparecer.
Não por sua própria negação, não por um trabalho próprio, mas nesse ato, tão nobre, que há dois anos o Arcanjo Anael chamava o Abandono à Luz.
Esse Abandono, como ele dizia, é uma Doação de Si, total, à Luz.

O que nós vivemos, uns e outros, nesse mundo, pertence irremediavelmente a algo falso, a algo privado de Luz.

É necessário, para isso, aceitar, bem além da definição do pescador, que nós somos aqui apenas Sombras.
Esqueletos vazios de qualquer Fogo, brilhantes de ausência de brilho, superficialidade.
Sem, no entanto, nos condenar, sem, no entanto, nos julgar, sem, no entanto, condenar quem quer que seja ou julgar quem quer que seja porque, em definitivo, cada Irmão e cada Irmã, mesmo que, hoje, não sirva à Luz, servirá um dia e tornar-se-á essa Luz.

É apenas uma defasagem de tempo, uma defasagem de espaço.
Mas, fundamentalmente, cada Irmão e cada Irmã é, efetivamente, Um em CRISTO, mesmo se ele o recuse.

Então, transcendendo todos esses limites impostos pela Sombra na qual estamos, torna-se possível a nós, pouco a pouco ou de maneira fulminante, viver essa Identificação e essa Simbiose com Ele, e tornar-se real e concretamente Ele.

Aceitar ser um rei de Amor é aceitar não ser rei de ninguém aqui embaixo.
Aceitar tornar-se o CRISTO é renunciar, como Ele, ao reino desse mundo.


Isso pode parecer difícil, é claro, uma vez que, hoje, sobretudo neste período, o culto da individualidade, o culto da personalidade é empurrado ao extremo.
Jamais o sofrimento foi tão grande nesse mundo, devido mesmo a essa reivindicação.

A Sombra reforça a Sombra, mas a Sombra se tornará, um dia, Luz.
Para isso, é preciso que a Luz ilumine a Sombra.
Não há nem Bem, nem Mal, em definitivo.

Viver o CRISTO é viver o Espírito do CRISTO, tornar-se Ele, é transcender o Bem e o Mal.
É sacrificar-se para a Luz e não ser sacrificado pelos outros.
Sacrificar-se a Si mesmo é voltar a tornar-se Sagrado.
É reencontrar a verdadeira Vida.
É viver para além da Dualidade, manifestar esse estado chamado a Unidade, que concorre para estabelecer, permanentemente, sua Alegria, o que quer que viva esse Corpo e o que quer que viva sua personalidade.
É não mais estar identificado aos seus piores sofrimentos, até que estes se transformem, eles mesmos.
É nada reivindicar mais do que ser o CRISTO.
É, sobretudo, descobrir e revelá-lo em Si, porque Ele sempre esteve aí, escondido no mais profundo do Coração, esperando esse momento, esse momento coletivo que chega agora, assinalando o fim da Sombra.

É claro, a Luz dá medo.
Ela dá medo para quem, ou para o quê?
Ela dá medo, obviamente, para aquele que está na Sombra e que julga tudo conforme sua própria Sombra, seu próprio medo.

O Amor é ausência de medo.
A relação humana de amor é asfixiada pelo medo, porque, assim que há amor, há medo de perder o amor.
Isso não é o Amor.

O Amor está além desse medo.
O Amor, justamente, é não mais viver o medo.
É abandonar-se totalmente, pelo processo de Simbiose, a Ele.

Vocês se tornam Ele, em Verdade e em Unidade.
É acolhê-lo na Luz, como dizia o bem amado João, em Unidade e em Verdade, para fazer apenas Um, abolindo a distância, permitindo, então, a tudo o que era do domínio da Sombra, em vocês, desaparecer.

Mesmo o sofrimento, naquele momento, não é mais um peso, mas torna-se uma leveza.
Isso é, certamente, difícil a aceitar pela personalidade, porque, quando a personalidade sofre, ela se torna pesada.
Ela recrimina e manifesta e exprime esse sofrimento.

Mas, para o Ser que se abandona em CRISTO e que se torna CRISTO, o próprio sofrimento não pode mais ser essa densidade e essa gravidade.
Ele se transcende por si, permitindo ser aceso e resplandecente pelo Amor.

Frequentemente foi-lhes feita referência do Coração e, sobretudo, do Fogo.
Sim, o Coração é um Fogo.
O Amor é o Fogo do Espírito.
É um Fogo.
Um Fogo devorador, mas, obviamente, que não devora o Amor.
Ao contrário, que vai devorar tudo o que não é o Amor, a fim de deixar aparecer o Diamante de seu Coração.
Sua dimensão de Filho Ardente do Sol, de KI-RIS-TI, de CRISTO.

É claro, o homem tem medo do Fogo, porque o Fogo representa, para ele, a loucura e o fim da personalidade.
O Fogo representa também o sofrimento, porque o Fogo ilumina.
Ele é uma fonte de água viva vindo grelhar as Sombras, alquimizando-as na Luz do Amor e fazendo-as resplandecer em mil Fogos.

Mas a personalidade não pode compreender o Fogo.
Somente o Amor pode compreender o Fogo.

A Luz é um Fogo.
Esse Fogo destrói a Ilusão, é exatamente o que acontece atualmente sobre esta Terra, é atualmente o que acontece em cada um de vocês, em tempos e em espaços diferentes.

Então, não julguem aquele que, pelo momento, está na resistência em relação a esse Fogo, porque ele está apenas defasado no tempo, mas ele possui estritamente a mesma identidade que vocês, para além da personalidade.

Quando alguns dos Anciões, quando alguns Arcanjos falam a vocês dessa Unidade ou de «Tudo é Um», eles não falam de um conceito ou de uma ideia.
Eles falam, realmente, da Verdade do Fogo, da Verdade do Amor, que não pode ser vivida na consciência e nessa carne.
Porque essa carne viverá sua ressurreição, nesse corpo chamado de Existência ou de Luz, pondo fim à separação.

Então, cada ser humano vive, em seu espaço e em seu tempo, essa Revelação do Fogo, alguns na negação e na recusa total.

Vocês todos conhecem isso, ao redor de vocês, entre seus parentes, que foram atraídos pela Luz e que não puderam tornar-se essa Luz.
Não os julguem.
Eles estão, simplesmente, numa defasagem de tempo e de espaço, porque eu digo, efetivamente, que toda a Terra é chamada, em um momento ou em outro, assim como todos os seus habitantes, a voltar a tornar-se o CRISTO, sem exceção alguma.
E não pode haver, porque toda Consciência é animada pelo Fogo do Amor, mesmo se este não seja reconhecido, ou seja rejeitado ao longe.

O Fogo é o princípio que anima toda a vida, não pode ser de outro modo.
Simplesmente, alguns o rejeitam, por medo, por ignorância, por experiência.
Mas, para além desse espaço/tempo que nós percorremos, uns e outros, não há tempo.
O tempo não é mais o mesmo.

Então, o que lhes parece muito afastado da Luz, hoje, no olhar que vocês levam sobre um ou outro além de vocês, é, de fato, apenas a distância de espaço e de tempo que deve levá-lo a tornar-se, ele também, o mesmo CRISTO que vocês.

Eu quero voltar também nessa noção de Humildade, de Simplicidade.

Na hora em que, hoje, a humanidade e o conjunto desse sistema solar vai viver o que foi chamada a Ascensão, que está vivendo-a, muitos seres humanos, Irmãos e Irmãs (que não estão no mesmo espaço e tempo que o CRISTO Interior), sobrecarregam-se de conhecimentos supérfluos.
Sobrecarregam-se de rituais supérfluos.
Sobrecarregam-se de adoração de algo de exterior a eles, fazendo uma busca exterior, enquanto a única busca a efetuar é a Interior.
Ela consiste em descascá-los, em arrancar-lhes tudo o que não é CRISTO.
Isso não necessita nada mais.

O conhecimento exterior não os levará jamais ao Coração.
Ele dá a ilusão de levá-los ao Coração.
Ele dá a ilusão de controlar e de ir para o CRISTO.
Ora, nada é mais falso.

Agindo assim, alguns de seus Irmãos e de suas Irmãs voltam as costas ao CRISTO e não vão para Ele, mas dele afastam-se.
Mas eles ali voltarão, em outro espaço/tempo.

Então, não os julguem, mas, simplesmente, irradiem o que vocês são.
E não hesitem, sobretudo, em dizer.
Vocês não poderão mudar ninguém, mas, simplesmente dizendo e exprimindo o que vocês vivem, vocês afirmam seu papel de Semente Estelar e de Filho da Lei de Um.

Olhando, nos olhos e no Coração, aquele que põe tempo e espaço entre ele e CRISTO, porque ele renuncia à sua soberania integral, porque ele renuncia à sua própria autonomia e à sua própria liberdade.
Então sim, vocês têm o direito de dizer a ele, vocês têm o direito de irradiar para ele, a fim de que o espaço e o tempo dele aproximem-se, se isso está na ordem das coisas, de sua dimensão de CRISTO Interior.

Viver CRISTO é não mais sofrer, qualquer que seja o sofrimento.
Estar em simbiose com CRISTO é estar na Alegria, quaisquer que sejam os eventos, exteriores ou Interiores, mesmo para esse corpo.

Em CRISTO não existe mais sofrimento.
Mesmo o sofrimento não é mais um sofrimento.
Mesmo a distância não é mais uma distância, porque vocês realizam a Unidade, naquele momento.
A Unidade não é nem Bem, nem Mal.
A Unidade é um estado além da Dualidade e, portanto, além desse mundo, que deve manifestar-se nesse mundo.

Tornar-se KI-RIS-TI é acolher o Fogo.
Esse Fogo devorador que virá queimar o que há a queimar e, ao mesmo tempo, acender o que há a acender, a fim de fazê-los voltar a tornar-se esse Filho Ardente do Sol.

Isso não necessita conhecimento algum.
Isso não necessita qualquer ser exterior, sobretudo agora.
Isso necessita, simplesmente, a Doação de si mesmo.
Essa Doação de si mesmo é um sacrifício.
Mas esse sacrifício, eu repito, não é a negação do que quer que seja.
É, justamente, a aceitação de tudo o que faz a Vida, de tudo o que faz o Fogo, de tudo o que faz o Amor.

Vocês são chamados, uns e outros, a retificar, pela Cruz da Redenção, o Eixo falsificado de que lhes foi feita referência.
Apenas você é que pode retificá-lo em você.
Apenas você é que pode abrir a porta para Ele.
Apenas você é que pode tornar-se CRISTO, por simbiose.
Apenas você é que pode tornar-se borboleta, ninguém mais pode fazê-lo em seu lugar.
É sua incumbência.
É o único modo de reencontrar a Liberdade e a Autonomia.
Não há outro.

Como vocês sabem, nós fomos todos confinados num corpo, privados do acesso Consciente à Luz.
Buscando a Luz no exterior de nós, num ser, num amor, numa posse, numa identificação a uma religião ou a uma esperança, qualquer que fosse.
E isso gira sempre, mais ou menos rápido.


O Amor, infinito e eterno, esse Fogo do Amor, em contrapartida, não conhece transformação.
Ele está aí, de toda a Eternidade, em toda Criação, mesmo falsificada.
É a vocês que cabe realizar sua Dimensão de CRISTO.
Nenhum ser poderá fazê-lo em seu lugar.
E, para isso, vocês devem, certamente, aceitar morrer.
Morrer para si mesmo.
Morrer para o que vocês creem estar fora dEle.
Morrer para uma esperança, qualquer que seja.
Morrer para uma espera, qualquer que seja.
Morrer para o sofrimento, como morrer para o prazer.
Morrer para o desejo.
De algum modo, entrar na Repulsão a tudo isso.

Não de maneira ativa, fazendo, mas, bem mais, tomando consciência de que nada de tudo isso pode ser o objetivo a atingir, porque jamais ele será satisfeito.

A única satisfação pode encontrar-se apenas na Fusão e na Simbiose com CRISTO.
Então, é claro, Ele não portará esse nome nas outras tradições, em outras culturas.
Pouco importa.
É sempre a mesma coisa de que falamos, do mesmo Fogo e do mesmo Amor.

A Redenção não passa pela Crucificação.
Ela passa pela Ressurreição.
A Crucificação é apenas uma imagem, que foi disfarçada.
É simplesmente a Renúncia.
Essa Renúncia, não daquilo que alguns religiosos renunciam no mundo, mas, antes, daquilo que evolui no mundo e que, ao mesmo tempo estando lúcido de que percorre esse mundo, renuncia a todos os atrativos e a todas as seduções.
Não por um ato de vontade, porque a vontade nada pode contra o desejo, mas, justamente, Abandonando totalmente a vontade pessoal a Ele.

Aí está a Ilusão de inúmeras crenças, hoje, que querem fazê-los crer que, trabalhando em vocês mesmos, que trabalhando em seus defeitos, vocês vão se pacificar e vocês vão tornar-se Luz.
Jamais a personalidade, trabalhando na personalidade, poderá encontrar a Luz.
É uma Ilusão.

Ela encontrará circunstâncias efêmeras.
Ela encontrará momentos de prazer, momentos de sentimento de liberação, mas isso não irá jamais, efetivamente, adiante.

Somente o Fogo do Amor, essa Simbiose com o CRISTO, pode despertá-los.
E isso não passa pela vontade.
Isso não passa pelo desejo.
Isso não passa por um trabalho.
Isso passa, literalmente, por sua própria morte a tudo isso.

Vocês apenas podem tornar-se CRISTO assim.
Se vocês não aceitaram isso, vocês não podem penetrar o Fogo do Espírito.

Assim é o sentido do Abandono à Luz.
Assim é o sentido do Abandono e da Fusão a Ele.
Não há meia-medida, porque logo que o Fogo do Espírito os invade, vocês percebem e sentem esse Fogo.
Ele vem queimar tudo o que não é o Fogo.
Ele vem queimar tudo o que não é a Luz.
E vocês percebem, claramente, naquele momento, o que é da ordem da Luz e o que não é da ordem da Luz.

Vocês não podem manter qualquer Ilusão, qualquer que seja.

Tornar-se CRISTO é verdadeiramente um sacrifício, mas um sacrifício de quê?
Da Ilusão, nada além da Ilusão.
E, sobretudo, não da Verdade, bem ao contrário.
É redescobrir e voltar a tornar-se a Verdade, como Ele dizia.
Naquele momento, voltar a tornar-se o Caminho, a Verdade e a Vida, pelo Fogo do Amor e do Espírito.

Todo o resto desaparece.
Todo o resto é aniquilado.
Toda a Ilusão deste mundo desaparece.
Todas as construções mentais, erigidas progressivamente e à medida da Vida, desaparecem.
O Fogo queima tudo.
Tudo o que é acessório.
Tudo o que é inútil.
Tudo o que obstrui e tudo o que torna pesado.

Tal é CRISTO, quando está em Simbiose com vocês.
Tal é o CRISTO, quando vocês abrem-Lhe a porta.
Tal é o CRISTO, quando o Fogo do Amor revela-se.

É um Fogo Ardente como o Sol, o que fez com que alguns dos Anciões identificassem mesmo o Sol como esta Fonte de CRISTO, como o bem amado Comandante dos Melquisedeques (ndr: Omraam Mikhaël Aïvanhov).
O Sol, como João disse (Sri Aurobindo), foi liberado.

Vocês podem tornar-se o Sol, inteiramente e em Verdade.

CRISTO foi chamado também o Logos Solar ou o Princípio Solar.
É exatamente o que Ele é.
Este Fogo que aquece e que queima tudo o que não é Ele.

Quando vocês penetram esse estado, quando se tornam Ele, então o milagre, o milagre da Criação Instantânea, do qual falaram as minhas Irmãs, realiza-se em sua vida.
Tudo se torna Facilidade.
Tudo se torna Evidência.
Tudo se torna Sincronia.
Nenhum mal, nem nenhum bem, pode tocá-los, porque vocês estão na Unidade.

Pretender o bem não é suficiente, porque pretender o bem significa que há já o mal.
Ser para além do Bem e do Mal, é ser Um.
É voltar a tornar-se Ki-Ris-Ti.

Vocês serão chamados, durante este mês de maio, cada um ao seu modo, a voltar a tornar-se esse CRISTO.
Ele vai bater à sua porta, de múltiplas maneiras, que é a mais adaptada para cada um, a fim de desvendar as últimas sombras, fazê-las cair, dissolvê-las.

Para isso é necessário aceitar verem-se.
Não é necessário fugir.
Não é necessário dar as costas a Ele.
Nenhum sofrimento, seja físico ou psicológico, pode impedir CRISTO de estabelecer-se, se vocês o acolhem.
Mas Ele não pode forçá-los.
Ninguém pode forçá-los.
Do mesmo modo que ninguém pode realizar isso em seu lugar, é você mesmo que deve tomar esta decisão.

Vocês estão na aurora do dia novo.
Vocês entraram nesse dia novo.

Então, ninguém sabe quanto vai durar esse dia, porque dependerá da Terra, e também de vocês, do lugar em que vocês estão localizados no tempo e no espaço desta Terra.

Cabe apenas a vocês viver a Verdade do CRISTO.

Naquele momento, vocês saberão, porque vocês vivem esse Fogo.
E esse Fogo não pode enganar, porque ele estabelece uma queimadura: essa queimadura, que não queima, é ligada à própria Luz.

Vocês verão, então, que tudo o que era supérfluo, acessório e inútil será cortado de vocês.
Não são vocês que o fazem, é o CRISTO.
Aceitem.

Olhem-se tal como vocês são.
Olhem todas as crenças.
Olhem todos os estados que são os seus, todos os humores que os percorrem ainda hoje, que são marcadores que, a partir da hora do desaparecimento deles, vocês mostrarão esse Fogo do Amor.

É preciso, para isso, desidentificarem-se totalmente do que vocês creem ser.
Que isso seja, mesmo, o nome dessa identidade ilusória e provisória.
Vocês devem desembaraçar-se de todos os seus hábitos e condicionamentos.
Vocês devem apresentar-se novos, nus, frente a Ele, a fim de entrarem na Simbiose.

A hora chegou de sua Ressurreição.
Isso, as Irmãs e os Irmãos foram numerosos a anunciar.
Cabe a vocês vivê-la, em sua carne e em seu Espírito.

O marcador disso é o Fogo do Coração, essa Presença (aquela que o Arcanjo Uriel, paciente e minuciosamente, instalou sobre a Terra), permitindo-lhes, então, aproximar-se do CRISTO.

A Simbiose está agora à sua porta.
Cabe apenas a vocês, e verdadeiramente apenas a vocês, vivê-la.
Ninguém pode vivê-la em seu lugar.


É uma Revolução Interior que vocês devem efetuar sozinhos, absolutamente sozinhos.
Nesse face a face entre seu corpo efêmero e seu Corpo de Eternidade, chamado Julgamento Final.

Esse Julgamento Final não é uma condenação, é uma Liberação.
Mas, para isso, é preciso ir para além de seus próprios medos.
É preciso ir para sua dissolução, essa pequena morte que é, de fato, a Ressurreição.

Lembrem-se de que, no mundo que percorremos, uns e outros, tudo está invertido, tudo está falsificado, tudo está transformado, justamente, para evitar a Luz.

É tempo, hoje, de viver essa Revelação, e dela fazer sua Revolução Interior.
Não através da negação desse corpo, porque, como sabem, esse corpo é o Templo que acolhe o CRISTO.
Esse corpo deve ser transcendido.
Apenas vocês é que podem transcender a si mesmos.

A Luz está aí.
Todas as Consciências Unificadas da Criação, sem exceção, estão ao redor de vocês.
Elas estarão em breve em vocês, quando o Anjo Metatron vier liberar o que há para liberar em vocês, em 14 de maio.

É naquele momento que será necessário viver sua Ressurreição, sua Simbiose no CRISTO.
Voltar a tornar-se o Filho Ardente do Sol.

Iluminar-se a si mesmo, não por uma iluminação exterior, trazida por qualquer Deus ou qualquer ser humano, como vocês e eu, mas por si mesmos.

A hora chegou de levantar-se, de despertar-se.
A hora chegou de voltar a tornar-se CRISTO.

Como uns e outros o disseram, vocês são os Filhos do Um, os Filhos da Lei de Um.
Vocês são Ele.

Então, pelo momento, talvez, para muitos de vocês isso era apenas um conceito, ou uma busca.
Muito em breve, isso se tornará uma Verdade para viver, e não mais uma busca.

Vocês constatarão por si mesmos que, quando o Fogo do Espírito se revela, todos os conhecimentos exteriores, todos os conhecimentos das histórias, quaisquer que fossem, não têm mais qualquer sentido, se não é o sentido de afastá-los da Luz.

Vocês se aperceberão, então, que nada mais há a compreender além da Verdade de CRISTO em Si.
Todo o resto era feito apenas para desviá-los dessa Verdade essencial.
O mental, as emoções do ser humano são sempre muito fortes para desviar a Atenção de CRISTO.
Mesmo através de práticas ditas religiosas, que consideram o CRISTO como algo de exterior a si.

No conjunto, pode-se dizer que, efetivamente, o conjunto de falsificações, até o presente, funcionou perfeitamente.
Mas não é mais o caso, porque a Luz está de volta.

Progressivamente, pacientemente, desde mais de vinte anos, a Luz restabeleceu seu reino.
E este se descobrirá totalmente nos dias que vêm.

Lembrem-se de que, para cada ser humano, existe um modo único de viver essa Ressurreição.
Pouco importa que isso passe pela morte desse corpo físico, ou pela Ascensão desse corpo físico.
Pouco importa que isso faça de vocês um Guerreiro Pacífico da Luz, que vai manter a Luz até o fim total desta Dimensão.

Cada coisa está em seu lugar.
Cada um, sobretudo, está em seu lugar.
Há apenas que extrair-se de tudo o que é ilusório.
E isso, vocês podem realizar apenas tornando-se CRISTO, vivendo o Fogo do Amor e o Fogo da Luz.
É o mesmo Fogo.

Preparem-se também para viver, em seus corpos, manifestações que, até o presente, não lhes são conhecidas.
Os calores, as agulhadas, o Fogo que vai percorrê-los é um verdadeiro Fogo.
A Luz Interior que vai despertar-se, a Fusão e sua Simbiose em CRISTO, vai transformá-los, inteiramente.
De uma forma para outra forma.
De um mecanismo de pensamento para outro pensamento.

O que era supérfluo eliminando-se, vocês constatarão, por si mesmos, que, quanto mais o Fogo cresce, menos há desejo, e menos há projeção do que quer que seja.

A Luz, efetivamente, e CRISTO, bastam-se a si mesmos.

Quando vocês se tornam Luz e CRISTO, todo o resto se faz de maneira espontânea, natural, sem busca, sem o querer.
Isso se chama a Graça.

É tempo, agora, de sair da Ilusão da Ação/Reação e penetrar, inteiramente, na esfera da Graça.

Naquele momento, vocês se tornarão Criadores de sua própria Realidade.
É nesse sentido que alguns dos Anciões e algumas das Irmãs disseram que lhes será feito exatamente segundo sua Vibração.
Porque vocês se tornarão o que vocês Vibrarem, e se vocês são o Amor, se vocês são o CRISTO, vocês se tornarão isso e vocês criarão isso.

Não haverá mais limite de espaço e de tempo.
O Milagre tornar-se-á seu quotidiano, em todos os sentidos do termo.
Vocês poderão então criar, na sequência deste período, tudo o que vocês podem criar, e de maneira instantânea.
É isso, juntar-se à Unidade.
Voltar a tornar-se CRISTO.
E isso acontece agora.

Aí está o que eu tinha a dar a vocês, como KI-RIS-TI.
Se, em vocês, persistem interrogações, medos ou outras coisas para colocar na Luz, então, eu os escuto.


Questão: fusionar com CRISTO é fusionar com a Fonte?

CRISTO disse: «eu e o Pai somos Um».
Se você se torna CRISTO, então, você poderá dizer: «eu sou Um com o Pai», que é a Fonte.


Questão: a que corresponde o Lírio e a Cruz que lhe foram dados pelo CRISTO?

Correspondem aos múltiplos presentes que o CRISTO me deu.
Houve inúmeros.

A quê correspondem?
Ao Amor, nada mais.
Eu tenho a precisar também que muitos seres humanos, hoje, estão engajados em caminhos de adoração exterior, de ser ou de cultura.

Os seres que viveram a Fusão com o CRISTO, no momento da vida deles, onde quer que estivessem sobre esta Terra, mantinham sobre esta Terra um Farol de Luz.
Esse Farol de Luz é accessível, para além da personalidade, mesmo em nosso túmulo, ou mesmo em nossa urna, em nossas cinzas.
No lugar onde o Corpo permaneceu.
Isso evitará que caiam em adoração diante daqueles que se apropriaram da Luz, e eles são numerosos hoje sobre esta Terra.

Adorem CRISTO, tornem-se Ele, mas não adorem nenhum ser humano, porque o que vocês adorarão naquele momento é do domínio da personalidade, sem exceção.

Quando falo da Simbiose com CRISTO, que eu vivi, estou bem para além da história do CRISTO no corpo de Jesus.
Eu não adorei a Cruz, ainda que seja um dos seus símbolos, que foi desviado, mas adorei o próprio Princípio, CRISTO.
Até tornar-me Ele.


Questão: o simples fato de conscientizar uma Sombra permite a sua superação?

Sim, se você está inteiramente Abandonado à Luz, e se entra em Simbiose com CRISTO.
O que quer eliminar uma Sombra não é nada de outro que a personalidade.


Questão: o que vocês chamam uma Sombra?

Uma Sombra é uma zona de não Luz.
E, portanto, se a zona de não Luz for posta na Luz, ela se torna Luz.
Falo da Sombra em geral.
Esse Corpo, que é o Templo, é também uma Sombra, dado que é uma projeção.


Questão: o sofrimento pode ser uma Sombra?

Inteiramente.
Há um momento em que o sofrimento não é mais sofrimento.
Ele foi iluminado.
Mas não é nunca o olhar externo ou a personalidade que ilumina, é o que queria fazê-los crer a personalidade.
Fazê-los crer que ela tem o controle, que ela tem a compreensão de suas próprias Sombras, o que é falso.


Questão: é necessário completamente desidentificar-se do corpo?

Desidentificar-se da Ilusão do corpo, mas aceitar que esse corpo é o Templo do CRISTO.
Ele é ao mesmo tempo o Templo da Ilusão como projeção, mas é o lugar da Revelação do CRISTO.
Para isso é necessário Fusionar o CRISTO.


Questão: a fusão com CRISTO pode então fazer-se enquanto têm-se ainda Sombras?

Se não tivesse mais Sombra, você seria já o CRISTO.

Questão: a iluminação das Sombras é suficiente para a morte de si mesmo e para o acolhimento do Fogo do Espírito?

Há, é claro, a morte total deste corpo.
O desaparecimento da Ilusão pode fazer-se, em definitivo e na finalidade, apenas a este preço.

Parece-me que, quando encarnamo-nos, somos mortais.
Então, por que recusar encarar esta finalidade, dado que é inevitável?
E que, desta vez, não se traduzirá num retorno eterno à encarnação, mas, efetivamente, à sua Liberação.
De quê vocês têm medo?

Eu esclareço que é apenas nesta sociedade, dita Ocidental moderna, que a morte é vivida como um drama.
Nas múltiplas culturas e tradições, a morte é uma Liberação.
E, no entanto, os seres voltavam.

Tudo é função de seu contexto de educação e de sua própria identificação à Ilusão desse corpo e dessa personalidade, que foi glorificada.
Mas vocês não são isso.

Se vocês estão identificados a esse corpo, estão identificados à morte, porque esse corpo morrerá de qualquer modo.

Como se pode ser identificado ao que é ilusório e efêmero, como um corpo que vive apenas cinquenta ou cem anos?


Não temos mais perguntas, agradecemos.

Então, Irmãos e Irmãs que me escutam agora, que me escutarão ou que me lerão, juntos, vamos Vibrar no Ki-Ris-Ti.

... Efusão Vibratória...

Gratidão, Graça e Bênçãos para seu acolhimento e seu Abandono.

Que a potência do amor e da Luz tornem-se seu Fogo quotidiano.

Talvez até um dia e, em todo caso, até sempre, em outros espaços.




Áudio da Mensagem em Português

Link para download:clique aqui




Mensagem de YVONNE AIMEE DE MALESTROIT ,
pelo site Autres Dimensions
em 30 de abril de 2011





Rendo Graças ás fontes deste texto:
www.autresdimensions.com.
Versão do francês: Célia G.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"EU SOU AQUILO" - SRI NISARGADATTA MAHARAJ

Rendo Graças ao autor desta imagem
 
 
 
      ADVAITA VEDANTA    
 
“EU SOU AQUILO”
[TRECHO]

por
Sri Nisargadatta Maharaj


Onde está a necessidade de mudar o que quer que seja?

A mente está mudando de alguma forma todo o tempo. Olhe para sua mente desapaixonadamente; isso é o suficiente para acalmá-la. Quando ela estiver quieta, você pode ir além dela. Não a mantenha ocupada todo o tempo. Pare-a, e simplesmente seja. Se você der descanso à mente, ela se centrará e recobrará sua pureza e força. O pensar constante a faz decair.

Nada que você faça mudará a si mesmo, pois você não precisa de nenhuma mudança. Você pode mudar sua mente ou seu corpo, mas isso é sempre algo externo a você que foi mudado, não você mesmo. Por que se importar com toda essa história de mudança? Realize de uma vez por todas que nem seu corpo, nem sua mente e nem mesmo sua consciência é você e mantenha-se de pé sozinho em sua verdadeira natureza além da consciência e inconsciência. Nenhum esforço pode levá-lo lá, somente a clareza do entendimento. Não tente reformar a si mesmo, simplesmente veja a futilidade de toda mudança. O mutável mantem-se em mutação enquanto o imutável espera. Não espere que o mutável o leve ao imutável – isso jamais acontecerá. Somente quando a própria idéia de mudança é vista como falsa e abandonada, o imutável pode surgir.

As atividades da maioria das pessoas é sem valor, senão destrutiva. Dominado pelo desejo e medo, eles não podem fazer qualquer coisa de bom.

Os gurus estilizados falam de madurez e esforço, de mérito e aquisições, de destino e graça; tudo isso é mera formação mental, projeções de uma mente viciada. Ao invés de ajudar, eles obstruem. Não corra para a atividade. Nem aprendizagem nem ação podem realmente ajudar.

Não é o que você faz, mas o que você para de fazer que importa.

A atividade não é ação. Ação é oculta, desconhecida, inconhecível. Você pode somente conhecer o fruto. Ação não leva à perfeição; perfeição é expressa na ação. Há uma diferença entre trabalho e mera atividade. Toda a natureza trabalha. Trabalho é natureza. Natureza é trabalho. Por outro lado, a atividade é baseada no desejo e no medo, no desejo de possuir e desfrutar e no medo da dor e aniquilação. Trabalho é pelo todo para o todo, atividade é para si mesmo e por si mesmo.

Sua mente está estagnada nos hábitos de avaliação e aquisição, e não admitirá que o incomparável e o inobtível estão esperando eternamente dentro de seu próprio coração por reconhecimento.Tudo que você tem a fazer é abandonar todas as memórias e expectativas. Apenas mantenha-se pronto em total nudez e vazio. Não faça nada, apenas seja. Apenas sendo tudo acontece naturalmente. Seja nada, saiba nada, tenha nada. Esta é a única vida que vale a pena ser vivida, a única felicidade que vale a pena ter.

Você não pode fazer nada. O que o tempo traz, o tempo levará embora. Este é o fim da Yoga, realizar independência. Tudo o que acontece, acontece na e para a mente, não para a fonte do “Eu sou”. Uma vez que você realize que tudo acontece por si mesmo (chame a isso destino ou vontade de Deus, ou mero acidente), você permanece como testemunha somente, compreendendo e apreciando, mas nunca perturbado. Você é responsável somente pelo que você pode mudar. Tudo que você pode mudar é sua atitude.

Aí mora a sua responsabilidade.
 
 
 
Sri Nisargadatta Maharaj
 
 
 
 
Trecho extraído do livro
“Eu Sou Aquilo” (I Am That, 1973).
 
 
 
 
 
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SOFRENDO SEU EXPERIENCIAR - MOOJI

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     ADVAITA VEDANTA    
 
SOFRENDO SEU EXPERIENCIAR
 
 
Entregue a sua existência para a Existência
e mantenha-se em silêncio.
Tudo é a Graça.
 
Se você realmente tivesse o livre-arbítrio e o poder de moldar o seu destino, de criar a sua vida ideal, você iria, muito provavelmente, tirar todos os desconfortos, tudo que desafia o seu ego, tudo que expõe sentimentos de culpa ou vergonha ou qualquer coisa que desafiasse os seus apegos. Você excluiria tudo isso e os substituiria por momentos sabor chocolate. [Risadas] Mas por mais que você tenha se esforçado em construir uma vida segura que satisfizesse sua projeção, ainda sim sua criação não se igualaria, em qualidade e bênçãos, à vida que está se desdobrando sem intenção humana.

Certa vez um homem disse a Sri Nisargadatta: “Maharaj, as suas palavras ressoam profundas em meu coração. Eu sinto seu poder e sei que são verdadeiras. Mas se eu for bem sincero em descrever a minha experiência, teria que admitir que ao longo da minha vida eu estou continuamente experienciando o sofrimento!”. Maharaj respondeu: “Não, isto não é verdade. Você não está experienciando o sofrimento, você está sofrendo a sua experiência.”

Você pode dizer mais acerca das palavras de Nisargadatta, Mooji?

Eu vou lhe contar uma história.

Estando com uma dor muito forte, um homem foi ver o médico. “Como posso ajudá-lo?” perguntou o médico. “Eu estou todo dolorido, doutor”, disse o homem. “Toda vez que eu toco aqui,” ele explicou, tocando próximo a seu coração com seu dedo, “dói! E seu eu toco aqui,” ele acrescentou, tocando seu nariz, “ai! – também dói!” O médico observava, perplexo, conforme o homem continuava. “Quando eu toco aqui,” ele disse, tocando seu estômago, “dói como inferno!” Daí ele debruçou-se na direção do médico e tocou seus cílios com o dedo. “Ai!” ele gritou novamente. Então o médico conduziu um exame físico completo no homem. Finalmente o médico disse, “Senhor eu não consigo achar nada de errado com as áreas que você me mostrou. O problema é que você tem um dedo quebrado!” [Risadas]

O “eu” é este dedo. Onde quer que o “eu” vá, sempre existe um problema. Este “eu” é ego: “Eu gosto, eu não gosto.” O que quer que ele toque, em ignorância, causa dor a si mesmo e aos outros. Entretanto, ele imagina que a dor é causada pelo “outro”. Quando, pela graça, é compreendido que o “eu-ego” é a causa do sofrimento, e que este “eu-ego” foi sonhado no Ser, o sofrimento termina.

A identificação com este “eu” está na raiz do sofrimento. Quando você escolhe o que você deveria experienciar – você sofre. Quando você escolhe de quem você deveria aprender – você sofre. Quando você está constantemente interpretando como as coisas são ou como deveriam ser, o que você merece e o que não merece – você sofre. Onde quer que haja orgulho, apegos, julgamentos ou desejos – há sofrimento. Quando despertamos da ignorância para a nossa verdadeira natureza – o sofrimento é inexistente.

Mas Mooji, como você pode não sentir se existe uma forte dor física?

Tanto a dor como o prazer pertencem ao corpo. Faz parte do pacote. Uma vez que você toma um corpo você experimentará todos os opostos inter-relacionados e todos os contrastes da dança que chamamos vida. Mas isso não quer dizer que você sofre automaticamente porque o corpo está lá. A identidade amplifica o sofrimento. Na observação imparcial e impessoal do funcionamento do corpo-mente, a dor é percebida como um fenômeno natural. A experiência não-pessoal é em si liberdade. Entretanto, para algumas pessoas o sofrimento parece ser um aspecto inescapável da experiência humana. Na esfera da experiência senciente o sofrimento é inevitável. Onde há uma forte identidade física ou psicológica, existirá um sofrimento proporcional – é o imposto por ter uma vida!

Então você diz: “Eu tenho sofrido.” Eu não vou discutir com você a respeito disso. Mas existem também aqueles quem estão sofrendo com uma profunda sensação de gratidão ou até mesmo de alegria por detrás de seu aparente sofrimento. Na verdade não posso chamar isso de sofrimento, porque não há resistência ali. Eles compreenderam e aceitaram que a Graça algumas vezes se manifesta como um intenso queimar interior que purifica o ser de toxinas conceituais e emocionais, e neste sentido eles permanecem em paz.

Eu não sei como eu poderia ficar agradecido quando a dor física ou emocional está latejando!

Não é preciso forçar-se para estar agradecido. Como uma espécie de reflexo condicionado, o sangue corre todo para o centro da atividade, assim como os glóbulos brancos fluem para o local do machucado físico. Neste exemplo, o centro da atividade é onde quer que a sensação do “eu” pessoal palpite, e a atenção que é então colocada na atividade é como o fluir do sangue.

Você não é isso: você está consciente disso. Apenas tenha clareza sobre isso, sem pânico. Se você agarrar-se à intuição, à sensação “eu sou”, e não permitir que isto se conecte com nenhum outro conceito, se você apenas deixar que o “eu sou” incube em si mesmo – imediatamente, alegria e espaço prevalecerão. Espontaneamente existe a silenciosa e intuitiva convicção: “Eu sou o Ser atemporal, sem limites.” Isto não é um ensinamento, mas uma poderosa experiência interna – inexplicável. Felizmente você não tem que escrever uma tese sobe isso. Algo é visto – é o bastante. Você não pode prová-lo e nem precisa prová-lo. Você não precisa falar a respeito, nem mesmo compartilhá-lo. Mantenha-se em silêncio.

Permaneça naquela natural solitude interna.
 
(Longo silêncio)
 
 
Mooji
 
 
 
 
Do livro Antes do Eu Sou
- Diálogos com Mooji -
 
 
 
 
 
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

CONSCIÊNCIAS DO ADVAITA VEDANTA

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     ADVAITA VEDANTA     
 
CONSCIÊNCIAS


Sri Ramana Maharshi
 
Sri Ramana Maharshi nasceu em 30 de dezembro de 1879 em Tiruchuzhi, uma cidade na província Tamil Nadu, ao sul da Índia. Seus pais lhe deram o nome de Venkataraman
 
Nada havia de anormal no rapaz. Possuía um corpo forte, se destacando no futebol, artes marciais, natação, entre outros esportes. O único fator incomum a respeito de Venkataraman era o seu sono profundo, inabalável, e sua assombrosa força física. Seu sono era tão profundo que em certas ocasiões seus colegas – que jamais tinham a oportunidade de vencê-lo em um combate – aproveitavam-se de seu estado para carregá-lo para fora de sua cama, dar-lhe uma surra, e então “devolvê-lo” ao seu quarto, sem que Venkataraman jamais suspeitasse do ocorrido.
 
O garoto não manifestava nenhum interesse em espiritualidade, meditação ou religião. Seus únicos contatos com assuntos espirituais foram uma vez quando ouviu falar da montanha sagrada Arunachala – o que lhe despertou profunda reverência e interesse – e outra quando teve a oportunidade de ler o Periyapuranam, que é uma coleção de biografias de 63 santos da seita Saiva [adoradores de Shiva] da religião hindu. Entretanto, aos seus 16 anos de idade, em julho de 1896, ocorreu uma experiência que transformou a sua vida para sempre. Ele mesmo a descreve:
 
“Foi mais ou menos seis semanas antes de deixar Madurai permanentemente que a grande mudança ocorreu na minha vida. Aconteceu inesperadamente. Eu estava sentado sozinho em uma sala do primeiro andar da casa de meu tio. Eu raramente adoecia, e naquele dia minha saúde estava normal, mas repentinamente eu fui tomado por um violento medo de morrer. Nada no meu estado de saúde explicava isso, e eu não tentei justificar esse medo, nem procurei suas causas. Eu apenas senti ‘Vou morrer’ e comecei a pensar o que fazer a respeito disso. Não pensei em consultar um médico, meus parentes ou meus amigos; eu senti que precisava resolver o problema por mim mesmo, ali mesmo.
 
O choque do medo da morte fez minha mente voltar-se para o interior, e eu disse a mim mesmo, sem na verdade moldar em palavras: ‘Agora a morte chegou; o que isso significa? O que está morrendo? O corpo morre.’ Então imediatamente comecei a dramatizar a ocorrência da morte. Eu deitei com os meus membros esticados e duros como se estivesse ocorrendo o rigor mortis, e imitei um cadáver para tornar a inquirição mais realista. Prendi a respiração e mantive os lábios firmemente fechados a fim de não deixar escapar nenhum som, de maneira que nem mesmo a palavra “eu” e nem qualquer outra palavra pudesse ser pronunciada. ‘Então’, disse a mim mesmo, ‘este corpo está morto. Ele vai ser carregado duro até a pira de fogo e lá será queimado e reduzido a cinzas. Mas com a morte deste corpo eu morro? Este corpo é o Eu? Ele está silencioso e inerte, mas eu sinto a força total de minha existência, e até mesmo a voz do “eu” dentro de mim, separadas do corpo. Então eu sou o espírito que transcende o corpo.
 
O corpo morre, mas o Espírito que o transcende não pode ser tocado pela morte. Isso significa que eu sou o Espírito Imortal’. Isso tudo não foi um pensamento obscuro; foi uma verdade viva que brilhou através de mim e que percebi diretamente, quase sem o processo do pensamento. ‘Eu’ era algo muito real, a única coisa real no meu estado presente, e todas as atividades conscientes ligadas ao meu corpo estavam centradas naquele ‘Eu’. A partir daquele momento o ‘Eu’ ou ‘Si-mesmo’ focou a atenção em si mesmo por meio de uma poderosa fascinação. O medo da morte desapareceu de vez, e a absorção no Eu Real continuou ininterrupta desde então.”

Neste momento sua individualidade dissolveu-se no Eu Real, e aquele jovem indiano que nada tinha de promissor transforma-se em um dos maiores Sábios que a Índia já conheceu. Na terminologia espiritual, ele havia “Realizado o Eu”, ou “Alcançado a Iluminação/Libertação”; o que normalmente surge apenas como resultado de anos de intensa prática espiritual (sadhana), para o jovem Sábio surgiu espontaneamente, sem nenhum prática ou desejo prévios.
 
Movido por um chamado interior, Venkataraman abandona seus estudos e sua vida em sociedade, e parte rumo à Tiruvannamalai, a cidade em que se situa a lendária montanha de Arunachala. Chegando ao seu destino, o garoto iluminado joga fora todo o seu dinheiro e posses, e entrega-se a desfrutar profundamente o estado de Paz e Beatitude recém descoberto. Sua absorção nesta Consciência era tão profunda que ele permanecia desligado de seu corpo e de todo o mundo exterior por dias a fio. Durante os dois ou três anos em que permaneceu imerso neste profundo estado de samadhi [transe], mosquitos e escorpiões comiam parte de seu corpo, seu cabelo e unhas cresceram enormemente, sendo que se alimentava apenas quando um transeunte apiedado com o estado deplorável do seu corpo lhe oferecia algo para ingestão. No final deste período Venkataraman começou aos poucos a retomar a sua vida física normal – transição esta que se completou apenas alguns anos depois – mas sem nunca perder a consciência de seu verdadeiro Eu.
 
Na medida em que o jovem Sábio foi retomando consciência do mundo exterior, passou a irradiar uma aura de Paz que começou a atrair buscadores interessados em beneficiar-se de sua presença. Em seus primeiros anos Venkataraman permanecia em completo silêncio, sendo que eventuais perguntas de buscadores que o visitavam ou moravam em sua proximidade eram respondidas sendo escritas em pedaços de papel ou na areia. Àquela época, um de seus primeiros seguidores, impressionado pela sabedoria e santidade daquele garoto, deu-lhe o nome de Bhagavan Sri Ramana Maharshi, pelo qual passou a ser conhecido desde então. “Bhagavan” é um título honorífico dado a grandes mestres iluminados, significando “Senhor”; “Sri” é um prefixo de respeito; “Ramana” é contração de seu nome de batismo; “Maharshi” significa “Grande Sábio”.
 
Mesmo depois de vários anos, quando Sri Ramana voltou a falar, falava muito pouco, de forma que seus ensinamentos eram transmitidos por outros meios. Ao invés de dar instruções verbais ele constantemente emanava uma força silenciosa que aquietava as mentes daqueles que estavam em sintonia com ela, e ocasionalmente até mesmo lhes dava uma experiência direta do estado no qual ele mesmo estava perpetuamente imerso. Anos depois ele tornou-se mais disposto a dar ensinamentos verbais, mas, mesmo então, os ensinamentos silenciosos sempre estavam à disposição daqueles que sabiam fazer bom uso deles. Ao longo de sua vida Sri Ramana insistia que esse fluxo silencioso de energia representava seus ensinamentos em sua forma mais direta e concentrada. A importância que ele dava a isso é indicada por suas assertivas freqüentes no sentido de que seus ensinamentos verbais serviam apenas àqueles que não podiam compreender seu silêncio.
 
Na medida em que os anos passaram ele tornou-se cada vez mais famoso. Uma comunidade cresceu em volta dele, milhares de visitantes vinham vê-lo, e durante os últimos vinte anos de sua vida ele era largamente conhecido como o Santo mais popular e reverenciado da Índia. Alguns desses milhares eram atraídos pela paz que eles sentiam em sua presença, outros pela propriedade com a qual ele guiava buscadores espirituais e interpretava ensinamentos religiosos, e outros simplesmente vinham falar de seus problemas e sofrimentos. Quaisquer que fossem as razões, praticamente todos que tinham contato com ele saiam impressionados com a sua simplicidade e humildade. Quando uma vez o então presidente da Índia prestou uma visita a Mahatma Gandhi, este lhe disse “se você está buscando a Paz, sugiro que visite Ramana Maharshi.”

Bhagavan estava disponível aos visitantes vinte e quatro horas por dia, uma vez que dormia e vivia em um espaço comunitário, o qual estava sempre acessível a todos, e seus únicos bens eram a sua roupa do corpo, um pote de água, e sua bengala. Embora fosse adorado por milhares como uma encarnação divina, ele se recusava a permitir que qualquer um lhe tratasse como alguém especial, e recusava receber qualquer coisa que não fosse igualmente dividida entre todos a sua volta. Sri Ramana trabalhava ativamente junto em sua comunidade e por muitos anos acordou diariamente às 3:00 da manhã para preparar comida para os residentes no ashram. Seu sentimento de igualdade era legendário. Os visitantes eram todos tratados com respeito e consideração iguais, fossem eles mendigos, executivos, membros da realeza, ou animais. Seu senso de equanimidade se estendia até mesmo às árvores locais: ele desencorajava seus seguidores a arrancarem flores ou folhas das árvores, e buscava assegurar-se de que a retirada de toda e qualquer fruta delas fosse feito da maneira que a árvore sofresse apenas a quantidade mínima de dor.

Assim, ao longo de mais de 50 anos, vivendo aos pés da montanha Arunachala, Sri Ramana deu ensinamentos e transformou as vidas de inúmeros visitantes e buscadores. Boa parte de seus ensinamentos foram anotados e publicados, constituindo assim uma herança espiritual inestimável para a humanidade, apontando um caminho direto e eficaz, acessível a todos aqueles que desejem alcançar o estado de Liberdade do qual tais ensinamentos emanaram.

Sri Ramana Maharshi deixou o corpo físico em 14 de abril de 1950, padecendo de câncer. Em nenhum momento, entretanto, demonstrou qualquer espécie de preocupação ou aflição com a grande dor física que seu corpo sofreu nos últimos anos, ou com a perda do mesmo, permanecendo sempre com o mesmo olhar imerso em Paz.
 
 
 
Nisargadatta Maharaj
(Bidi)

Quando certa vez questionado sobre a data de seu nascimento, Nisargadatta Maharaj respondeu suavemente “eu nunca nasci”. Escrever uma nota biográfica a respeito desse mestre é um trabalho frustrante e fútil. Pouco se sabe da sua vida, tendo sido a maior parte das informações obtidas por terceiros, antigos amigos e parentes. 

Maruti nasceu em algum dia do mês de março de 1897, em uma família indiana de origem humilde. Cresceu basicamente sem nenhuma educação, e vivia uma vida simples, ajudando seu pai em seu trabalho em uma pequena fazenda no distrito de Maharashtra, no centro-oeste da Índia. O garoto era dotado, entretanto, de uma mente inquisitiva. Em certas oportunidades Maruti ouvia um amigo brahmin de seu pai discursar sobre assuntos espirituais, permanecendo então várias horas refletindo sobre tais assuntos.

Seu pai morreu quando ele tinha 18 anos, sendo que logo após Maruti mudou-se para Mumbai (Bombaim) em busca de trabalho. Lá montou uma pequena loja, vendendo desde roupa infantis a cigarros e outros itens, a qual floresceu bem e lhe deu segurança financeira. Neste período ele casou e teve um filho e três filhas. Viveu uma vida comum, um entre milhares, até que no ano de 1933, através de um convite de um amigo, conheceu aquele que seria seu Guru – Sri Siddharameshwar Maharaj, da linhagem dos Navanathas, sendo por ele iniciado. No início de sua prática ele começou a ter visões e ocasionalmente entrava em transe.

Com a morte de seu Guru em 1936, a sua sede pela Autorrealização atingiu seu ápice, culminando na Iluminação. Em suas palavras: Quando encontrei meu Guru, ele me disse “Você não é o que você pensa ser. Descubra quem você é. Observe o sentimento EU SOU, encontre seu verdadeiro EU”. Eu fiz como ele me disse. Todo o meu tempo livre eu passava olhando para dentro de mim, em silêncio. E que diferença fez, e tão rápido! Custou-me apenas três anos para eu realizar minha verdadeira natureza. A mensagem do Mestre para nós era clara e direta, sem exposição de doutrinas ou escrituras: “Você é o Ser aqui e agora. Pare de imaginar que você é outra coisa. Desapegue-se do irreal!”

A identidade de Maruti, o pequeno comerciante, então desapareceu, dissolvendo-se na iluminadora personalidade de Sri Nisargadatta Maharaj.

Em 1973 foi publicado o primeiro livro com ensinamentos do mestre, “I Am That”, que rapidamente tornou-se um clássico espiritual moderno, atraindo-lhe a visita de buscadores de todas as partes do mundo. Maharaj continuou a encontrar-se regularmente com buscadores e visitantes, em sua casa, até o final de sua vida em 1981, quando morreu de câncer na garganta.
 
 
 
Papaji
(H.W.L. Poonja)
 
Hariwansh Lal Poonja nasceu em 1913, próximo a Lyalpur, uma pequena cidade da região do Punjabi que na época localizava-se na Índia mas que, em 1947, passou a fazer parte do então recém criado estado do Paquistão. Seu pai, que trabalhava para o governo como administrador de estações da rede ferroviária, estava sujeito a frequentes transferências, o que levou a família a mudar-se seguidamente para diferentes pequenas cidades.
 
Em 1919, num feriado decretado pelo governo colonial Britânico, a família Poonja viajou para Lahore, a maior cidade da região, e foi lá que Hariwansh teve sua primeira grande experiência de despertar espiritual. Espontaneamente Hariwansh teve uma experiência direta do Eu Real, que o deixou completamente paralisado. Assim permaneceu, incapaz de se mover ou de falar, ficando absorto neste estado por três dias. Hariwansh descreveu esse acontecimento como uma experiência de pura felicidade e beleza. Uma vez que esse contato direto com a felicidade do Eu Real foi estabelecido, ele passou muitos dos anos seguintes tentando experimentar esse estado novamente, ou ocasionalmente ser puxado espontaneamente de volta para ele.
 
Sua mãe, que era uma ardente devota de Krishna, o convenceu que a devoção a Krishna lhe devolveria o estado de felicidade. Seguindo seu conselho, Hariwansh começou a se concentrar em Krishna com tanta intensidade que a forma física da deidade passou a aparecer na sua frente de maneira tão sólida que ele podia tocá-la. Hariwansh tornou-se tão apegado à forma de Krishna, que por muitos anos o seu principal desejo espiritual foi que Krishna aparecesse para que ele pudesse usufruir da beatitude de estar na presença da divindade.
 
Hariwansh era o filho mais velho da família. Quando ele tinha 16 anos, passou pelo tradicional casamento arranjado e começou a trabalhar como comerciante, pois seu pai não podia arcar com as despesas de enviá-lo para o ensino médio. Seu trabalho, que inicialmente era de vendas de artigos esportivos e equipamentos cirúrgicos, levou-o a Mumbai, onde ele passou a maior parte da década de 1930, ganhando dinheiro suficiente para sustentar sua esposa e filhos, e também outros membros de sua família, que viviam em Lyalpur.
 
No início da década de 1940 Hariwansh inscreveu-se para ser um oficial do exército britânico. Ele acreditava que os combatentes pela liberdade indiana dos anos 20 e 30 haviam falhado porque não tinham o treinamento militar adequado. Assim, apresentando-se para lutar pelos ingleses na Segunda Guerra ele pretendia obter um treinamento militar adequado a fim de posteriormente lutar contra a ocupação britânica em seu país. Durante todos os seus anos como membro do exército e como homem casado trabalhando em Mumbai, Hariwansh nunca abandonou seu amor por Krishna ou o desejo de ter visões dele. Com o tempo, percebendo que o serviço militar era incompatível com seu estilo de vida, ele abandonou seu posto a fim de encontrar um Guru que lhe ajudasse a ver Krishna o tempo todo.
 
Sua busca o levou por toda a Índia, e o fez visitar alguns dos mais famosos mestres da época, mas nenhum deles conseguiu lhe dar uma resposta satisfatória à sua pergunta padrão: “Você já viu Deus? Se sim, pode mostrá-l’O para mim?”.
 
Algum tempo depois dele ter retornado para casa, um sadhu [monge hindu mendicante] apareceu na porta de sua casa em Lyalpur, pedindo esmolas. Hariwansh lhe fez a mesma pergunta de sempre: “Você pode me mostrar Deus? Se não, conhece alguém que possa? O sadhu respondeu, “Sim, eu conheço uma pessoa que pode lhe mostrar Deus. Se você o visitar, tudo ficará bem para você. Seu nome é Ramana Maharshi”.
 
Hariwansh informou-se com o sadhu e descobriu que Ramana Maharshi vivia em Tiruvannamalai, no sul da Índia. Como ele já havia gasto todo o seu dinheiro nas viagens anteriores em busca de um Guru, ele financiou sua presente jornada conseguindo um emprego em uma empresa que ficava em Chennai, uma cidade distante poucas horas de trem de Tiruvannamalai.
 
Quando ele chegou no ashram de Ramana Maharshi, em 1944, ele descobriu, para a sua frustração, que Ramana Maharshi era a mesma pessoa que tinha aparecido para ele, como um sadhu, em Lyalpur. Sentindo-se enganado, ele estava prestes a deixar o ashram quando foi informado, por um devoto residente, que Ramana Maharshi jamais havia deixado Tiruvannamalai nos últimos 50 anos. Intrigado, ele decidiu ficar.
 
Na primeira vez que falou com Ramana Maharshi ele perguntou: “Você é o homem que apareceu para mim na minha casa no Punjab?”. Sri Ramana permaneceu em silêncio. Então ele lhe fez a pergunta padrão: “Você já viu Deus? Em caso positivo, você pode me capacitar a vê-l’O?”.
 
O Maharshi respondeu: “Eu não posso lhe mostrar Deus porque Deus não é um objeto a ser visto. Deus é o sujeito. Ele é aquele que vê. Não se preocupe com aquilo que é visto. Descubra quem é aquele que vê.” E acrescentou: “Somente você é Deus”.
 
Muito embora Hariwansh não estivesse disposto a seguir tal conselho, ele permaneceu no ashram por tempo suficiente para ter uma experiência transformadora na presença de Sri Ramana. Assim ele a descreve:Suas palavras não me impressionaram. Elas me pareceram mais uma desculpa na longa lista daquelas que eu já havia ouvido de diversos swamis em todo o país. Ele prometeu mostrar-me Deus [quando apareceu em minha casa no Punjab], mas agora ele diz que não apenas não pode me mostrar Deus, como também que ninguém mais pode. Eu o teria abandonado imediatamente sem pensar duas vezes, se não fosse pela experiência que tive imediatamente após ele me dizer para descobrir quem era o “eu” que queria ver Deus. Ao concluir suas palavras ele olhou para mim, e na medida em que fitou meus olhos profundamente, todo o meu corpo começou a tremer. Uma vibração de energia nervosa atravessou meu corpo. Eu sentia como se as minhas terminações nervosas estivessem dançando, e meus pêlos arrepiaram-se todos. Tornei-me consciente do Coração espiritual dentro de mim. Este não é o coração físico. É, isto sim, a fonte e o apoio de tudo o que existe. Dentro do coração eu senti ou vi algo como um botão de flor fechado. Ele era brilhante e azulado. Com o Maharshi me olhando e eu em um estado de silêncio interior, senti esse botão abrir-se e florescer. Eu uso a palavra “botão”, mas essa não é uma descrição exata. Seria mais correto dizer que algo que parecia um botão abriu-se e floresceu em meu Coração. Foi uma experiência extraordinária, que eu nunca tinha tido antes. Eu não tinha vindo em busca de experiências, e quando isso aconteceu fiquei muito surpreso.
 
Apesar de tal experiência, Hariwansh decidiu que os ensinamentos de Sri Ramana não eram para ele. Então ele foi para o outro lado de Arunachala, a montanha sagrada onde Sri Ramana tinha permanecido toda a sua vida adulta, e continuou com suas meditações em Krishna.
 
Antes de retornar para Chennai, ele decidiu parar no Sri Ramanasramam e ver o Bhagavan mais uma vez. Hariwansh disse novamente que tinha visões constantes de Krishna. Sri Ramana perguntou: “Você o vê neste momento?” Não, respondeu o devoto. “Então qual é a utilidade de uma divindade que surge e desaparece? Se ele é um Deus real, ele deve estar com você o tempo todo”, retorquiu o mestre.
 
Hariwansh retornou para Chennai para começar em seu novo emprego. Ele intensificou sua prática de repetir o nome de Krishna, coordenando-a com sua respiração, até que chegou num estágio em que repetia o mantra de Krishna 50.000 vezes todos os dias. Então, surpreendentemente, os deuses Ram, Sita e Lakshman apareceram diante dele em sua casa em Chennai, ficando com ele quase a noite toda. Depois que eles se foram, Hariwansh percebeu-se incapaz de continuar com a repetição dos mantras. Perplexo com esse novo desenvolvimento em sua prática, ele decidiu retornar ao Ramanasramam para explicar sua delicada situação ao Maharshi.
 
Após relatar os detalhes do que tinha acontecido, Sri Ramana respondeu-lhe dizendo que a sua prática foi como um trem que o levou ao seu destino. Assim Hariwansh descreve o encontro:
 
Sri Ramana disse: “O trem [de Madras a Tiruvannamalai] lhe trouxe até o seu destino. Você desceu dele porque não mais precisava do veículo… Foi isso o que ocorreu com a sua prática. Seu japa [repetição do nome de Deus], suas leituras, sua meditação, lhe trouxeram à sua destinação espiritual. Você não mais precisa delas. Você não as abandonou: essas práticas o deixaram espontaneamente porque alcançaram seu propósito. Você chegou.”
 
Então ele me olhou atentamente. Eu podia sentir que todo o meu corpo e mente estavam sendo lavados com ondas de pureza. Eles estavam sendo purificados pelo seu olhar silencioso. Eu sentia ele olhando diretamente para o meu coração. Sob o efeito daquele olhar encantador senti cada átomo do meu corpo sendo purificado. Era como se um novo corpo estivesse sendo criado para mim. Um processo de transformação estava ocorrendo – o velho corpo estava morrendo, átomo por átomo, e o novo corpo estava sendo criado no seu lugar. Então, repentinamente, eu entendi. Compreendi que este homem com quem eu havia falado era, na realidade, o meu verdadeiro Ser, aquilo que sempre fui. Ocorreu um súbito reconhecimento, na medida em que me tornei consciente do Eu Real. Eu uso a palavra “reconhecimento” propositadamente, uma vez que eu soube, assim que essa experiência me foi revelada, que este era o mesmo estado de paz e felicidade no qual eu tinha ficado absorto quando era um garoto de seis anos de idade em Lahore. O olhar silencioso do Maharshi re-estabeleceu em mim esse estado original. O desejo de buscar um Deus externo desapareceu sob a luz do conhecimento do Eu Real que o Maharshi me revelou. (…) Eu sabia que minha busca espiritual havia terminado.
 
Hariwansh voltou para Chennai e retomou seu trabalho, visitando o Ramanasramam sempre que possível.
 
Em 1950, depois de Sri Ramana ter falecido, Hariwansh voltou para Tiruvannamalai com a intenção de viver lá como um sadhu, mas o destino tinha outros planos para ele. Após uma breve visita ao Sri Ramanasramam, ele viajou para Bangalore, onde lhe foi oferecido um trabalho como gerente de uma companhia de mineração. Ele aceitou a oferta, principalmente para ter recursos com os quais sustentar sua família, e pelos quinze anos seguintes, até sua aposentadoria em 1966, ele trabalhou em inúmeras minas em Karnataka e Goa.
 
Assim que deixou seu emprego, Hariwansh começou a viajar por toda a Índia, e embora nunca tenha anunciado a si mesmo como um mestre, ele sempre atraía um pequeno número de devotos onde quer que fosse. Esses números gradualmente começaram a crescer. Entre 1970 e 1990 viajou extensamente, tanto dentro da Índia como fora (Europa, América e Austrália), sendo a maioria das viagens feitas a pedido dos devotos que queriam vê-lo. Ele resistiu a todas as tentativas para fundar um centro ou ashram em seu nome, preferindo encontrar-se com pequenos grupos em suas próprias comunidades.
 
No final de década de 1980, quando a debilidade física o impediu de viajar sozinho, Hariwansh se estabeleceu em Lucknow, no norte da Índia, inicialmente na casa de sua família no centro da cidade, e de 1991 em diante em uma casa no subúrbio de Indira Nagar. Foi lá que ele passou os últimos anos de sua vida, dando satsangs diários, e ocasionalmente viajando para breves visitas ao rio Ganges. Faleceu em setembro de 1997.
 
Foi por volta de 1990 que ele recebeu o título de “Papaji”, que significa “pai respeitado”, e esse título era usado por virtualmente todas as pessoas que vinham vê-lo nos últimos anos de sua vida.
 
Papaji sempre negou que tivesse algum “ensinamento”. O que ele tinha era uma assombrosa habilidade para proporcionar às pessoas que vinham a ele uma experiência direta do Ser Real.
 
Seu método não era mandar as pessoas meditarem e praticarem, colocando como meta distante alguma grande experiência espiritual. Era, ao contrário, mostrar-lhes que a consciência do Ser é possível aqui e agora, se procurada no lugar de onde a mente e o sentimento de individualidade surgem.
 
 
 
Mooji
(Anthony Paul Moo-Young)
 
 Anthony Paul Moo-Young, conhecido como Mooji, nasceu em 29 de janeiro de 1954 em Porto Antônio, Jamaica. Em 1969 ele mudou-se para o Reino Unido, onde reside atualmente em Brixton, Londres. Anthony trabalhou muitos anos como artista de rua pintando retratos no centro de Londres, depois foi pintor, fez vitrais e mais tarde foi professor no Brixton College. Por muito tempo ele foi mais conhecido como “Tony Môo”, mas agora é afetuosamente chamado de “Mooji” pelos muitos buscadores e amigos que o visitam.
 
Mooji é um discípulo direto de Sri Harilal Poonja, o renomado mestre Advaita, ou Papaji, como seus seguidores o chamam. Em 1987, um encontro casual com um devoto Cristão seria o evento que mudaria a vida de Mooji, levando-o, através da oração, à experiência direta do Divino em seu interior. Em um curto período ele experimentou uma mudança radical tão profunda na consciência que, externamente, ele parecia – aos muitos que o conheciam – uma pessoa completamente diferente. Com o despertar de sua consciência espiritual, começou uma profunda transformação interna que se desenrolou na forma de muitas experiências milagrosas e “insights” místicos. Ele sentiu um vento forte de mudanças soprando através de sua vida que trouxe com ele uma profunda urgência de entregar-se completamente à vontade divina. Pouco tempo depois ele parou de ensinar, deixou sua casa e deu início a uma vida de quieta simplicidade e entrega à vontade de Deus conforme esta se manifestava espontaneamente dentro dele. Uma imensa paz adentrou seu ser e nunca mais o deixou.

Pelos seis anos seguintes, Mooji flutuou em um estado de meditação espontânea esquecido do mundo exterior formal que ele conhecia. Durante esses anos, ele viveu praticamente sem nenhum centavo, mas estava constantemente absorvido na alegria interior, contentamento e meditação natural. A graça manifestou-se na forma de sua irmã Julienne, que carinhosamente acolheu Mooji em sua casa e proporcionou-lhe o tempo e o espaço que ele tanto precisava para florescer a espiritualidade, sem as pressões e demandas da vida externa. Mooji refere-se a este período de sua vida como os seus “anos selvagens”, e de maneira tocante fala do sentimento profundo de estar “sentado no Colo de Deus”. Em muitos aspectos estes foram tempos nada fáceis para Mooji, no entanto, não há traço algum de remorso ou arrependimento em sua voz quando ele narra tais eventos. Pelo contrário, ele fala dessa fase de sua vida como sendo ricamente abençoada e abundante em graça, confiança e devoção amorosa.

No final de 1993 Mooji viajou para a Índia. Ele desejava visitar Dakshineswar em Calcutá, onde Sri Ramakrishna (o grande Santo Bengali) havia vivido e ensinado. As palavras e a vida de Ramakrishna foram uma fonte de inspiração e encorajamento para Mooji nos primeiros anos de seu desenvolvimento espiritual. Ele amava profundamente o Santo; porém, não era seu destino ir à Calcutá. Enquanto estava em Rishikesh, um lugar sagrado ao pé dos Himalayas, teve um outro encontro pré-destinado; desta vez com três devotos do grande Mestre Advaita Sri Harilal Poonja, conhecido por seus muitos devotos como Papaji. O convite insistente dos devotos para que Mooji viajasse com eles a fim de encontrar o Mestre causou-lhe uma profunda impressão. Ainda sim ele protelou a visita por duas semanas, escolhendo primeiro visitar Varanasi, a cidade sagrada.

No final de Novembro de 1993 Mooji viajou para Indira Nagar em Lucknow para encontrar Papaji. Esta veio a ser uma experiência auspiciosa e profundamente significante em sua jornada espiritual. Para ele esse encontro foi sua boa sorte; ele havia encontrado um Buda vivo, um Mestre plenamente iluminado. Gradualmente ele reconheceu que Papaji era seu Guru. Mooji ficou com Papaji por vários meses. Durante um satsang, Papaji lhe disse: “Se você deseja ser um com a verdade, ‘você’ deve desaparecer completamente.” Ao ouvir isso, muita raiva surgiu em sua mente, que estava cheia de julgamento e resistência ao Papaji. Ele decidiu sair da presença do mestre para sempre; contudo, mais tarde naquele dia uma imensa nuvem negra de ódio e rebeldia repentinamente elevou-se, deixando sua mente num estado tão intenso de paz, vazio e amor ao mestre, que ele sabia que não poderia ir embora. Pela graça de Papaji, sua mente foi empurrada de volta para dentro do vazio da fonte.

Em 1994 ele viajou para o Sri Ramanasramam em Tiruvannamalai com as benções de seu Mestre. Este é o ashram ao pé de Arunachala, “A Montanha de Fogo”, onde Sri Ramana Maharshi – o “Sábio de Arunachala” e Guru de Papaji – tinha vivido e ensinado. Mooji sentiu-se em casa e muito feliz em Tiruvannamalai. Ele permaneceu lá por quase três meses antes de voltar a se sentar aos pés de Papaji uma vez mais.

Uma semana após seu retorno a Lucknow ele recebeu de Londres a notícia de que seu filho mais velho havia morrido repentinamente de pneumonia. Mooji voltou para Londres. A beatitude dos anos anteriores abriu caminho para um profundo vazio e silêncio interior, concedidos pela Graça e Presença de Papaji.

Mooji visitou Papaji novamente em 1997. Este seria o último encontro com seu Bem-Amado Mestre, que havia adoecido e se tornado frágil em seus movimentos, mas cuja luz interior e presença se mantiveram inalteradas. Um mês depois de retornar a Londres, Mooji recebeu a notícia que o Mestre havia falecido. Sobre isso Mooji declara: “Aquele princípio que se manifesta como o Mestre está sempre AQUI AGORA. O verdadeiro Mestre nunca morre, é o senhor que morre. O verdadeiro Mestre, esse Sadguru dentro, somente Ele é o Real”.

Desde 1999 Mooji tem compartilhado em Brixton, onde mora, satsangs na forma de encontros espontâneos, retiros, satsangs intensivos e encontros individuais com os muitos buscadores que o visitam, vindos de todas as partes do mundo em busca da experiência da verdade. Poucos dentre os professores modernos da tradição Advaita expõem o “conhecimento do Ser Real” e o método da autoinquirição com tão brilhante clareza, amor e autoridade. Há uma energia que irradia da presença do Mooji, um tipo de intimidade impessoal, plena de amor, alegria e uma curiosa mistura de diversão e autoridade. Seu estilo é direto, claro, compassivo e muitas vezes cheio de humor. Tão severo é seu escrutínio e tão firme seu ponto de vista que o conceito “eu” não escapa de ser desmascarado como sendo uma construção mental, quando visto a partir da consciência sem forma que nós somos.
 
Mooji também viaja regularmente para a Irlanda, Espanha, Itália, Alemanha, Brasil, América do Norte e Índia – lugares em que conduz Satsangs e retiros intensivos. Ele está sempre aberto aos buscadores sinceros da verdade, seja quais foram suas experiências prévias.





Rendo Graças à fonte:

domingo, 27 de janeiro de 2013

TRANSFORMAÇÃO - PROJETOR DE LUZ ESPECIAL



E     S     P     E     C     I     A     L
 

PLANETA EM
TRANSFORMAÇÃO


Há quem diga que o ano de 2012
foi um ano como outro qualquer.

Vejamos apenas um resumo das notícias diárias pelo mundo
nos meses de setembro e outubro do ano passado!





Filme com boa qualidade de áudio e vídeo.
Assista em tela cheia e, se possível,
com qualidade máxima de 1080p (HD).


UM INCRÍVEL DOMINGO À TODOS
 


domingo, 20 de janeiro de 2013

LEMBRETE CELESTIAL - PROJETOR DE LUZ ESPECIAL

 
 
E      S      P      E      C      I      A      L

 
HERCÓLUBUS SEGUE
SEU CURSO


Hescólubus*, o astro duplo do Sol continua sua órbita
à revelia da melancolia humana pós 21/12/2012.

Este registro foi postado no dia 16 de janeiro de 2013, com imagens
captadas em Wilmington, EUA, no dia 5 de janeiro de 2013.

Absolutamente a "outra margem" não se importa;
não dá a mínima para os marcadores ilusórios da "matrix"
e segue sua preparação sincrónica para a chegada
da Onda Galáctica (Luz/Amor Vibral).

 




Filme com boa qualidade de áudio e vídeo.
Assista em tela cheia e, se possível,
com qualidade máxima de 720p (HD).


UM ALINHADO DOMINGO À TODOS


(*) Está ficando bem grandinho. ;)


 

EXTRA: PREFIRO SER ESTA METAMORFOSE - CENTELHA DIVINA - ARTIGO

Rendo Graças a Ana Marques pela imagem
 
 
 
 
    E X T R A   
 
 
LAGARTAS ENCOLHIDAS
NOS CASÚLOS
 
 
Pessoa, gente, personalidade, personagem, ator deste espetáculo, não sou bom em escrever, pois me evadi muito cedo da escola, porem gostaria muito de exprimir poucas linhas a você que passou neste momento por este Blog.
 
Parece que estivemos vivendo um mesmo sonho com inúmeras interpretações discordantes; parece que muitos que diziam viver os processos ascensionais, não entenderam nada do que se passou; parece que alguns personagens voltaram com um novo roteiro decorado e com a inspiração e a emoção da reestreia a flor da pele. Parece que muitos se deixaram abater e se entregaram a uma melancolia obscena diante do que foi nos dado de presente pelos inúmeros intervenientes classificados por nós mesmos de Arcanjos, Estrelas de Maria, Anciãos ascensos e seres multidimensionais de pura Luz, principalmente aqueles que se diziam os arautos das estrelas.
 
Ora, Sementes Estelares, nada acabou, muito pelo contrario, o próprio Aïvanhov mencionou alguns anos atrás que estamos em uma defasagem temporal de 3 anos, O tempo não existe mais na linearidade em que nos foi imposto pela velha matrix; O Kristi (Amor/Luz Vibral), ainda chegará como um ladrão na noite e ninguém sabe a data e nem a hora.
 
Quando o Sri Aurobindo nos dizia que o choque da Humanidade era antes de tudo pessoal, quis dizer que a “morte” continua chegando individualmente como sempre; e as liberações coletivas estão aí para quem quiser ver, porém nada é como antes, pois agora essa “passagem” é pela Porta Estreita, ou seja, pelo Coração Ascensional no momento do basculamento, e posteriormente a liberação do confinamento do plano astral, ao qual éramos obrigados a passar.
 
Hercólubus, o duplo do Sol e que é também a cópia de nossos Corações, continua a se aproximar e a se manifestar aqueles que estão na fluidez da infinita presença da Vida com V maiúsculo; os vegalianos continuam enfeitando nossos céus a espera da chegada da mesma Luz que não se rende a um numero marcado por uma civilização chamada de ilusão (Maya), para desfocar e remeter a uma data linear confinada e confinante; isso não existe e nunca existiu, o que existe é as vivencias do Coração, do Centro do Centro do interior do que somos na eternidade da Verdade, também com V maiúsculo, que nos foram passadas com os ensinamentos despertadores que tanto nos foi ditado.
 
Tenhamos paciência e não aguardemos nada, apenas vivamos nossos Corações no instante presente, pois que seja daqui a três anos ou três semanas, a Luz virá nos liberar em um “Clic” coletivo, pois assim foi determinado pelA Fonte.
 
Que tipo de Centelhas Divinas somos, que sem continuar a ser estimulados, esquecem tudo o que nos foi dado a viver. Sabemos no fundo do nosso Ser, que estes sete anos (2005 a 2012 da nossa linearidade), foram de revelações de uma verdade muito mais palpável e coerente com uma “Criação” a revelia do que se exterioriza nesta matriz alterada, confinada e manipulada. Tudo foi consumado nos planos etéreos, porém estamos adiantados em um centésimo de segundo (em uma escala eterna), pela nossa densidade e projeção.
 
Muitos neste pós “data de 21/12/2012”, chegaram a cogitar a possibilidade de abandono deste corpo; ora fagulhas, nós não lembramos de que somos necessário aqui neste momento raro e sublime para o espírito e para a ascensão deste Planeta que é, também, a nossa consciência.
 
Amados não há nada que se intimidar a ponto de deixar-se absorver  novamente pela ilusão da matéria, pois a promessa ainda é valida para nosso juramento. Não esqueçamos!
 
Perdoe-me pelas mal digitadas e sinalizadas linhas, mas quis dizer a você, a minha maneira, que continue rendendo e vivendo Graças, continue desperto, continue voltado ao seu Coração e espírito, continue sendo a tranquilidade e a Suprema Paz.
 
É só um lembrete para aqueles que brocharam no momento do êxtase.
 
Um abração adamantino.
 
 
 
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